O Trabalho Onírico nos Sonhos Noturnos
Para iniciarmos uma certa conceitualização a respeito de nosso tema mais amplo, o de Arte Onírica, será preciso pensarmos antes nos sonhos. Para Freud, os sonhos podiam ser uma “experiência alucinógena benigna”. Sua formulação do conceito de superego sucede seu trabalho fundamental sobre os sonhos. Porque nos sonhos o superego, enquanto agente repressor, mesmo censor do ego, perde sua força. Por isso muitos sonhos são interpretados apenas como satisfação de desejos inaceitáveis para a consciência. Se quisermos, portanto, podemos conhecer melhor o que reprimimos a partir da análise do que Freud chamou de trabalho onírico. Realizado passivamente (ou) inconsciente mente enquanto dormirmos, ele é responsável pela conversão dos pensamentos inaceitáveis para o ego, em pensamentos oníricos latentes que, mesmo num estado de sono, irão se manifestar em nossos aparentemente inócuos conteúdos manifestos dos sonhos.
Entretanto, o conflito entre o superego e os alteregos reprimidos (monstros nos habitam insconsciente/mente), não cessam nos sonhos. E assim, podemos estudar alguns mecanismos básicos da linguagem onírica; como a condensação, o deslocamento, a representação indireta, e o que a todos permeia, o simbolismo. Todos esses mecanismos fazem parte da linguagem onírica e é difícil dissociá-la deles. A condensação, por exemplo, é um aspecto invariável dos sonhos. Joseph Campbell, em seu livro sobre Mitos, Sonhos e Religião, diz, por exemplo, que quando sonhamos com um tigre feroz e temos medo, devemos pensar que é justamente por termos o medo dentro de nós, que sonhamos com o tigre feroz. O tigre aí vem como imagem condensadora de nossos medos. Mas além disso, diz mais. Por que um tigre e não um leão, um grande urso? ou ainda, por que não inúmeras aranhas ou uma única letal? São muitas as ‘imagens’ que poderiam emergir de nossos medos, mas ao se manifestar, geralmente uma toma lugar. E assim abre-se o caminho às associações a partir do simbolismo pessoal ou coletivo da imagem onírica. As associações e a simbolização são formas de representação indireta do que está por trás de uma imagem onírica específica. O deslocamento é o que mais representa o poder atento do superego que não se ausenta completamnte. Quando uma imagem aparentemente secundária num sonho, se mostra reveladora de conteúdos não explícitos do mesmo, é porque os efeitos do superego não adormecem o suficiente para fazer o Inconsciente falar abertamente. Os sonhos mesmos podem ser vistos como exercícios conflituosos de um triângulo complexo: superego, ego e id. Como se o ego estivesse mesmo entre essas duas grandes forças, e imprimisse, também ele, nos sonhos, sua porção de consciência. O sonho da razão produz monstros, diz Goya na imagem acima, ou melhor, o sono do superego desperta nossos monstros inconscientes.
Além de tudo isso, há ainda as dificuldades inerentes à recordação dos sonhos e à sua ordenação em uma linguagem discursiva e, portanto, racionalizável. Não há como transformar imagens e sensações oníricas em narrativa sem essa dupla perda. Afinal, relatar uma experiência onírica não deixa de ser uma tradução, de imagem e sensações vividas em brumas para a narrativa. E como toda tradução esta também é sempre uma traição ao original. Quando não, é no mínimo, um novo sonho, um sonho diurno (by http://arteonirica.arteblog.com.br)
1 comentário:
CLARO QUE OS SONHOS SÃO MAIS COISAS.UMA PORTA PARA OUTRAS REALIDADES E PARA OUTRAS LINHAS DO TEMPO.
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